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sábado, 15 de novembro de 2014

PONTO DE RUPTURA

PRÓLOGO

Em Junho de 1999, cinco meses após ter lançado TEX Nº 351 “O bando dos irlandeses”, a editora Mythos decide testar Zagor. Até Outubro desse ano são publicados apenas três números! Não tendo ficado satisfeita com as vendas a editora acaba por suspender a publicação. Em Julho de 2001, quase dois anos após o início da colecção, a editora decide tentar novamente. Apesar do tempo decorrido, os responsáveis optaram por continuar a numeração. Do número quatro ao número dez, foram seleccionadas apenas histórias completas, retiradas da colecção SPECIALE ZAGOR (exceptuando o Nº 4, que apresentou “A ponte do arco íris” retirado do ZAGOR Nº 400). A estratégia de optar apenas histórias completas e variar o número de páginas para que fosse possível, revelou-se bem-sucedida, só sendo alterada a partir do décimo primeiro número, altura em que a editora optou por publicar um arco de histórias da série regular italiana, iniciando no Nº 386.

Já se passaram quinze anos! Zagor encontra-se perfeitamente consolidado no Brasil, contando com três colecções regulares: ZAGOR, ZAGOR EXTRA e ZAGOR ESPECIAL. Exclui-se ZAGOR GIGANTE, já concluída, após ter publicado as três histórias existentes, e também, AS AVENTURAS DE CHICO, que não tem periodicidade definida. A colecção ZAGOR deveria publicar a fase mais recente da colecção regular italiana. ZAGOR EXTRA, que após os primeiros números em que publicou apenas histórias completas do ALMANACCO DELL AVENTURA, deveria publicar as histórias ainda inéditas, também da colecção regular italiana, que foram deixadas para trás pelas antecessoras da Mythos. Em ZAGOR ESPECIAL deveríamos encontrar histórias retiradas do ALMANACCO DELL AVENTURA, MAXI ZAGOR e SPECIAL ZAGOR. Contudo, com o decorrer dos anos as premissas iniciais foram alteradas, não existindo actualmente um verdadeiro rumo para cada uma das colecções existentes. Neste momento, ZAGOR EXTRA publica uma fase mais adiantada que ZAGOR, que se encontra em rota de colisão com esta colecção, e vai intercepta-la dentro de meses, quando chegar ao Nº 548 da colecção regular italiana. Tal vai acontecer porque o Nº 549 e seguintes, já foram publicados em ZAGOR EXTRA. Os saltos na cronologia, e a inexistência de uma estratégia clara para cada uma das colecções, vão criar dentro de alguns meses o que poderemos chamar ponto de intersecção, que corresponderá obrigatoriamente, a um ponto de ruptura, nas opções editoriais da editora, para o “Espírito da machadinha”.

PONTO DE RUPTURA

Intitulado de “Problemas”, o texto publicado em 2010, no blogue do Tex, relatava as dificuldades dos coleccionadores de Zagor, portugueses e brasileiros, em acompanhar as suas histórias. Dificuldades devido às constantes interrupções com as mudanças de editoras e ao desrespeito pela cronologia do personagem. Três anos antes, em a “Encruzilhada”, havia feito uma abordagem diferente: Com a publicação em ALMANAQUE TEX Nº32, de "Sasquatch", a última historia inédita de Tex, tinha-se colocado à editora uma oportunidade de lançar uma nova colecção. Nestes textos procurei demonstrar que, ZAGOR COLEÇAO ou ZAGOR EDIÇAO HISTÓRICA, seriam as opções certas. Infelizmente não tive sucesso, pois já se passaram sete anos desde a primeira iniciativa e ainda não foi lançada nenhuma das duas colecções sugeridas. 

A versão brasileira, de ZAGOR COLLEZIONE STORICA A COLORI, à muito que é pedida pelos coleccionadores brasileiros e portugueses, será que é chegada a hora?
O ideal seria uma publicação em formato bonelliano, colorido, e apenas com histórias completas e com muitíssimas páginas por edição. A verdade é que uma edição nestes moldes sairia com um preço extremamente elevado, mas não necessariamente caro.
Todos concordamos que Ronaldo e Messi ganham salários estratosféricos, não obstante, isso não significa que sejam jogadores caros. Qualquer dos dois possibilita um enorme retorno aos seus clubes, quer em termos desportivos, com a quantidade de golos, assistências e vitorias ao longo das épocas, quer em termos económicos, com a garantia de estádios cheios, receitas de publicidade, vendas de camisolas etc. Assim, apesar de receberem salários extremamente elevados, pelo retorno que proporcionam aos seus clubes, até podem ser considerados jogadores baratos. Parece-me óbvio e penso que todos concordam neste aspecto, que uma colecção deste tipo terá forçosamente um preço elevado. Assumindo esse facto, resta à editora produzir uma revista colorida, que devido ao seu conteúdo, formato e numero de páginas, não seja considerada de cara, pelos coleccionadores. Coloca-se então a questão: Como?

Apostar em histórias completas!
Uma das particularidades que mais apreciava nas colecções da editora Vecchi, era a existência de edições especiais: Edição especial de férias em Junho, e edição especial de Natal em Dezembro. Duas vezes por ano, os coleccionadores eram brindados com estas edições maravilhosas: Histórias completas, normalmente com muito mais páginas que as edições normais. "Aventura em Utah" foi a primeira revista de TEX que comprei. Pela data de publicação e pelo atraso que existia entre a data de publicação e a distribuição em Portugal, calculo que tenha sido no longínquo ano de 1980. Apesar do tempo decorrido recordo-me perfeitamente! Não só por ter sido o primeiro exemplar da minha colecção de TEX, mas também, pela existência do caderno das cem capas. Uma edição verdadeiramente especial! Em Janeiro de 1990, com Zagor Nº6, intitulada "O raio da morte", a editora Record fez história! Produziu uma edição com 436 páginas. Até hoje imbatível nas publicações dos personagens Bonelli no Brasil. Otacílio de Assunção, editor na altura, confessou que teve muitas dificuldades em convencer os directores devido aos elevados custos, pois tinham receio que provocasse uma queda nas vendas. O resultado foi no entanto contrário às preocupações dos directores: As vendas foram um sucesso! Aumentaram cerca de cinquenta por cento nesta edição.
Como já referido, a colecção ZAGOR publicou apenas historias completas até ao décimo numero, e foi um factor decisivo para evitar o cancelamento da publicação.

Espaçar os lançamentos!
Numa colecção em que cada numero tem um preço elevado, o numero de edições por ano, têm de ser obrigatoriamente pequeno. Mesmo considerando que, com o cancelamento de ZAGOR EXTRA, grande parte dos coleccionadores transfere as suas compras, para a nova colecção. Perdem seis edições por ano a cerca de 20 Reais cada, e ganham três ou quatro edições, a cerca de 50. Resta convence-los a substituir uma colecção de histórias inéditas, por uma de repetições, além do acréscimo de custos. Utilizando novamente o exemplo da Vecchi, teríamos o Especial de Natal em Dezembro, Especial da Pascoa em Março ou Abril, e Especial de Férias em Julho ou Agosto.

Produzir somente edições volumosas! 
Existem actualmente no Brasil diversas colecções especiais de Tex e Zagor: TEX OURO, TEX EDIÇÃO HISTÓRICA e ZAGOR ESPECIAL. Certos volumes destas colecções ultrapassaram as 300 páginas, pelo que o termo especial está um pouco banalizado. Assim, para que esta colecção fosse verdadeiramente especial em cada edição, o numero mínimo de páginas, deveria ser superior às 400, e variar para cumprir a premissa das histórias completas, podendo atingir as 600. Para o formatinho um volume desta dimensão é impensável, mas não para o formato bonelliano. A editora Record publicou várias edições com mais de 360 páginas e em Itália, a Mondadori com a qual a SBE têm uma parceria de longa data, já colocou nas bancas edições com mais de 500 páginas. "Zagor contra il vampiro" ultrapassa as 500 e "Tex contra Mefisto – magia nera" as seiscentas e trinta.

Apostar nos detalhes e nos extras.
TEX EDIÇÃO HISTÓRICA e ZAGOR EXTRA são dois bons exemplos para um péssimo aproveitamento da capa. Em revistas de formato tão pequeno como o formatinho, é um grande erro reduzir a área do desenho, para dimensões ainda mais pequenas. Em TEH, a arte do desenhador ocupa apenas cerca de sessenta por cento da capa, e em ZEX, um pouco mais. A faixa superior reduz a capa a três quartos do total disponível! Relativamente às lombadas, existem outros maus exemplos de lombadas em edições da Mythos: TEX OURO, TEX EDIÇAO HISTÒRICA, ZAGOR EXTRA e ZAGOR ESPECIAL! Nenhuma destas colecções apresenta o titulo na lombada! Bons exemplos de lombada são as colecções da Record que incluíam nome e número da colecção, titulo e editora, tudo isto de uma forma harmoniosa. Ou mais recentemente, as colecções da Mondadori "OSCAR BESTSELLERS".  Assim, uma boa capa, se possível inédita no Brasil, aproveitando ao máximo toda a área disponível. Uma lombada atractiva, a inclusão de matérias sobre as histórias, os personagens ou os autores, à semelhança do que já se está a fazer em algumas colecções, são os detalhes que poderão fazer a diferença influenciando positivamente os prováveis compradores, pois acrescentam valor às edições, sem no entanto elevarem excessivamente o custo de produção.

Publicitar intensivamente a nova colecção.
A 1ª mostra do clube Tex Portugal ocorreu no mês de Agosto, na Anadia. Durante sensivelmente o mês que antecedeu a realização do evento, os responsáveis do blogue, bombardearam quase diariamente o seu publico, com acções de promoção. Estas acções envolveram radio e jornais locais, além dos posts no blogue. Tudo isto feito por amadores, sem custos e sem fins lucrativos. Em Tex Nº 16 "Território Apache", segunda edição, publicada em Julho 1978, a Vecchi incluiu um caderno de cerca de vinte páginas da história "A origem de Zagor", a publicar no Nº 1 do Espírito da machadinha, no mês seguinte. A publicidade é fundamental e estes dois exemplos são bastante eficazes para a promoção dos produtos sem sem exigirem práticamente nenhuns recursos. Existem diversos coleccionadores que possuem facebook, blogues e até lojas on line, que se encontram disponíveis para fazer a divulgação. Basta antecipadamente criar o artigo, e enviar-lhes, para conseguir promover os artigos.

Uma colecção nestes moldes incorpora todos os ingredientes para ter sucesso, sendo que a única variável que o poderá impedir, será sem dúvida, o preço de cada edição. Para ultrapassar a questão do preço a chave poderá ser a inovação. Já havia mencionado quando escrevi “Encruzilhada”, e na verdade, nos últimos tempos a editora têm mostrado capacidade de inovar. Fê-lo ao lançar CASSIDY&DEMIEN bimestralmente em formato bonelliano, incluindo uma história de cada personagem por edição. Não esquecer que a Panini tentou FACE OCULTA e não passou do número dois. Fê-lo novamente ao duplicar o número de páginas de ZAGOR, ZAGOR EXTRA e JÚLIA KENDAL e alterar a periodicidade para bimestral. Aparentemente estas medidas não alcançaram os resultados desejados: ZAGOR EXTRA vai ser cancelada no Nº 123, alegadamente por falta de histórias, apesar de ainda existirem histórias inéditas que possibilitam a continuação por, pelo menos dois anos. CASSIDY&DEMIEN terminou no Nº 5 por apresentar vendas muito aquém do desejado. Coloca-se então as questões; Porque é que as vendas foram tão baixas? O produto não tem qualidade? A periodicidade não foi adequada? O preço era muito caro? Houve falhas de distribuição? Enfim, importa perceber o que falhou! As vendas baixas foram uma consequência, não a causa. Recordo que a própria MYTHOS “congelou” ZAGOR, durante quase dois anos, logo após o terceiro número, e que também, os primeiros números de TEX lançados em 1971 pela Vecchi, venderam muito pouco. O que teria acontecido se os editores da época têm cancelado as colecções? Curiosamente, o editor da Mythos na época, já era o mesmo Dorival Vitor Lopes.

Há cerca de uma década, a industria do calçado portuguesa estava com problemas gravíssimos, devido aos baixos preços praticados pelos produtos chineses, com os quais concorria directamente. Fábricas a fechar, pessoas a serem despedidas diariamente e de nada adiantava baixar ordenados, pois já se praticava o salário mínimo, nem utilizar materiais mais baratos. Era impossível competir com o calçado chinês! Esta impossibilidade, esta situação de ruptura que aparentemente significava a falência desta industria em Portugal, forçou as empresas a inovar, a apostar na qualidade, no design e actualmente ninguém duvida que foi uma aposta ganha. O calçado português concorre hoje com aquele que é considerado o melhor do mundo: O italiano! Sendo o que apresenta o segundo preço médio mais elevado, também atrás do italiano. Apesar disso não é considerado caro, tendo em conta a qualidade.

O facto de inovar não é garantia de sucesso imediato. Em qualquer área, qualquer investimento necessita de tempo para ser lucrativo! È quase impossível que uma revista seja rentável logo nos primeiros números! A vontade da editora, em que uma nova publicação seja lucrativa prematuramente, pode ser impeditiva do sucesso. Sabendo que as primeiras histórias de Zagor são muito diferentes das actuais, e que, a qualidade dos argumentos oscila bastante nas primeiras edições, só ganhando consistência a partir das primeiras cinquenta, ou sessenta edições italianas, os primeiros números poderão ser um problema. As vendas das primeiras edições da nova colecção brasileira, poderão ficar bastante aquém do desejado.

Desconheço os valores, mas estimo que cerca de quarenta por cento, da tiragem de uma publicação, cubra a totalidade dos custos de produção. Assim, ao receber um encalhe superior a sessenta por cento a editora pode questionar o sucesso da publicação, no entanto, e no meu entendimento, um elevado encalhe na primeira dezena de edições não deveria ser um problema. Para a SBE não parece ser. No seu site continua disponível o Nº 1 de TEX NUOVA RISTAMPA, com data de publicação,  pasmem-se!  Fevereiro de 1996. A própria Mythos durante os primeiros anos, manteve disponíveis os primeiros números por si publicados. Se voltarmos aos tempos da Vecchi, certamente que nos lembramos da listagem da página 4, contendo toda a numeração que continuava disponível. Na altura não existiam as facilidades de aquisição que existem actualmente, e o encalhe era rentabilizado, contribuindo para a facturação da empresa ao longo dos anos, após a publicação da revista. Se existem actualmente editoras como a SBE, que tratam o encalhe como um contributo para o aumento das vendas globais, porque é que para outras, é considerado um problema?

O ponto de ruptura que se aproxima, poderia ser a oportunidade que a Mythos necessitava  para arrancar com um ZAGOR PLATINUM, ou ZAGOR GOLD COLLECTION. Sim, porque até no nome da colecção se pode inovar. Infelizmente tal não vai acontecer! Dorival Vitor Lopes em entrevista concedida recentemente ao TEX CLUB BRASIL, aniquilou completamente as esperanças dos zagorianos, ao deixar bem claro que não existia nenhuma hipótese. A editora escuda-se nas baixas vendas que forçariam um preço elevado, ignorando completamente as outras variáveis, não estando disposta a inovar em Zagor, como fez recentemente com Tex, quando lançou a nova colecção republicando os TEX GIGANTE, em álbuns verdadeiramente luxuosos. Sem dúvida, a colecção de maior qualidade da Mythos! Nesta colecção a editora não se preocupou com o preço, que além de elevado é caro e também têm o conhecimento, que a maioria dos texianos não têm meios para a adquirir. Em compensação vai atingir outra gama do mercado, leitores que, apesar de gostarem de Tex, desdenham o formatinho. O ponto que se aproxima afinal não nos trará mais uma colecção de ZAGOR, pelo contrário retira-nos uma. ZAGOR dará mais um salto na cronologia ultrapassando ZAGOR EXTRA, e passará para uma fase mais actual. ZAGOR ESPECIAL passará a ter missão redobrada com o cancelamento de ZAGOR EXTRA, alternando a publicação de histórias inéditas das diversas colecções italianas. Quanto a nós leitores de Zagor, se pretender-mos acompanhar as histórias do personagem em formato maior e colorido, resta-nos como solução, aprender italiano.

NOTAS FINAIS

Ao contrário de que muitos poderão interpretar, este texto não é uma critica acérrima as opções da Mythos, para o personagem Zagor. Apesar de criticar a editora em muitas das suas opções, considero o seu trabalho globalmente positivo, e reconheço que se as publicações Bonelli, se mantêm nas bancas brasileiras e portuguesas, è à Mythos que se deve. Procurei apenas especular em torno da hipótese de lançamento da versão brasileira, de ZAGOR COLLEZIONE STORICA A COLORI, e em que modos essa colecção poderia ter sucesso.


A Mythos terminou a colecção ZAGOR GIGANTE ao fim de apenas três edições, tal como a original italiana, porque não vão ser produzidas mais histórias para esta colecção. Existe no entanto uma grande diferença!  Em Itália não existem mais histórias originais para publicar, o que não acontece no Brasil. Se considerar-mos os riscos de insucesso de lançar uma nova colecção, e a existência de muitíssimas histórias originais para publicar, podemos questionar: Porquê parar uma colecção que já está no mercado, com tantas histórias originais por publicar? O argumento do formato também não é justificação! Seja para que colecção for, os desenhadores da casa Bonelli produzem as suas pranchas num papel de formato maior que o A4, sendo depois reduzidas para o formato desejado, para publicação. Deste modo, para manter esta colecção, basta seleccionar uma história composta por duas ou três edições do ZAGOR, ou uma do MAXI ZAGOR. O único inconveniente é que não teremos as 240 páginas das edições anteriores, mas entre um pouco mais de duzentas e pouco mais de trezentas, de acordo com a história seleccionada. Eis outro ponto onde a Mythos poderia ser inovadora: Continuar o ZAGOR GIGANTE para além do que a SBE conseguiu.

FONTES:

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

AS MINHAS COLECÇÕES DE BD - ZAGOR EDIÇÃO BRASILEIRA DA RGE E GLOBO

INTRODUÇÃO
ZAGOR, personagem criado por Guido Nolitta e Gallieno Ferri, foi publicado pela primeira vez na Itália em 1961.
Em Agosto de 1978, a editora Vecchi lançou o primeiro número da coleção, aproveitando o sucesso editorial de outro personagem da gama Bonelli: Tex Willer!  A editora optou por contar a origem do personagem logo na primeira edição, contrariando a colecção original italiana que só o fez na edição Nº 55. Em Julho de 1983 a colecção é interrompida repentinamente, não pelas baixas vendas da revista, mas sim, como consequência da falência da editora.



CRONOLOGIA 
“O tesouro maldito”, a aventura escolhida pela editora Rio Gráfica para o primeiro número desta colecção foi publicada em Janeiro de 1985. Esta editora foi responsável pela publicação dos primeiros vinte e quatro números até final do ano de 2006. “Oceano” é o título do Nº 25 e foi o primeiro de quatorze numeros com o selo da Globo, o novo nome escolhido pela editora. Infelizmente, a Globo só publicou Zagor até Fevereiro de 1988, altura em que foi publicado o Nº 38 “Seminoles” que fechou a colecção, deixando a história por concluir. Segue-se a listagem da totalidade das histórias publicadas tendo por base a original italiana:
ZAGOR - SÉRIE REGULAR ARGUMENTO/
ARTE
SÉRIE
BRASILEIRA
TITULO
TRADUZIDO
DATA
PUBLICAÇÃO
NO BRASIL
ZG-043 - Seminoles Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 37 Uma aventura na Flórida Janeiro 88
ZGL - 38 Seminoles Fevereiro 88
ZG-044 - I vendicatori Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 38 Seminoles Fevereiro 88
 ZG-095 - Zombi! Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE -23 Hammad, o egipcio Novembro 86
 ZG-096 - Hammad l'egiziano Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 23 Hammad, o egipcio Novembro 86
ZRGE - 24 Oceano Dezembro 86
 ZG-097 - Oceano Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 24 Oceano Dezembro 86
ZGL - 25 Bandeira negra Janeiro 87
 ZG-098 - Bandiera nera Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZGL - 25 Bandeira negra Fevereiro 87
ZGL - 26 Capitão Serpente Fevereiro 87
ZG 107 - Ritorno a Darkwood Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 29
ZGL - 30
Retorno a Darkwood
Retorno a Darkwood
Maio 87
Junho 87
ZG 108 - Ora zero! Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 30
ZGL - 31
Retorno a Darkwood
Hora zero
Junho 87
Julho 87
ZG 109 - Minaccia dalla spazio Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 31
ZGL - 32
Hora zero
Três homens em perigo
Julho 87
Agosto 87
ZG 110 - 3 uomini in pericolo Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 32
ZGL - 33
Três homens em perigo
Águas misteriosas
Agosto 87
Setembro 87
ZG 111 - Acque misteriose Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 33
ZGL - 34
Águas misteriosas
A ira dos Osages
Setembro 87
Outubro 87
ZG 112 - La capanna maledetta Guido Nolitta/
Franco Donatelli/
Gallieno Ferri
ZGL - 34
ZRGE - 04
ZRGE - 05
A ira dos Osages
A sétima prova
Mensagem de morte
Outubro 87
Abril 85
Maio 85
ZG 113 - Messaggi di morte Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 05
ZRGE - 06
Mensagem de morte
A marcha do desespero
Maio 85
Junho 85
ZG 114 - La marcia della disperazione Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 06
ZRGE - 07
A marcha do desespero
A areia é vermelha
Junho 85
Julho 85
ZG 115 - La sabbia è rossa! Guido Nolitta/
Gallieno Ferri/
Franco Bignotti
ZRGE - 07
ZRGE - 08
A areia é vermelha
A última vitima
Julho 85
Agosto 85
ZG 116 - L'ultima vittima Guido Nolitta/
Gallieno Ferri/
Franco Bignotti
ZRGE - 08 A última vitima Agosto 85
ZG 119 - La rabbia degli Osages Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 34
ZGL - 35
A ira dos Osages
Prendam Billy Boy!
Outubro 87
Novembro 87
ZG 120 - Arrestate Billy boy Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 35
ZGL - 36
Prendam Billy Boy!
O dia da justiça
Novembro 87
Dezembro 87
ZG 121 - Il giorno della giustizia Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZGL - 36
ZGL - 37
O dia da justiça
Uma aventura na Flórida
Dezembro 87
Janeiro 88
ZG 122 - Addio, fratello rosso Guido Nolitta/
Franco Donatelli/
Gallieno Ferri
ZGL - 37
ZRGE - 02
Uma aventura na Flórida
O aventureiro
Janeiro 88
fevereiro 85
ZG 123 - L'avventuriero Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 02
ZRGE - 03
O aventureiro
Zagor contra Supermike
Fevereiro 85
Março 85
ZG 124 - Zagor contro Supermike Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 03
ZRGE - 04
Zagor contra Supermike
A sétima prova
Março 85
Abril 85
ZG 125 - La settima prova Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 04 A sétima prova Abril 85
ZG 129 - Follia omicida Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 10
ZRGE - 11
A marca da coragem
Loucura homicida
Outubro 95
Novembro 95
ZG 130 - Il fantasma di Stone Hill Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 11
ZRGE - 12
Loucura homicida
O fantasma de Stone- Hill
Novembro 85
Dezembro 85
ZG 131 - Kandrax il mago Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 12
ZRGE - 13
O fantasma de Stone-Hill
Kandrax o mago
Dezembro 85
Janeiro 86
ZG 132 - La sesta luna Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 13
ZRGE - 14
Kandrax o mago
A sexta lua
Janeiro 86
Fevereiro 86
ZG 133 - Sandy river Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZRGE - 14
ZRGE - 15
A sexta lua
Sandy river
Fevereiro 86
Março 86
ZG 134 - Spedizione punitiva Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZRGE - 15
ZRGE - 16
Sandy river
Expedição punitiva
Março 86
Abril 86
ZG 135 - Il palo della tortura Guido Nolitta/
Franco Donatelli
ZRGE - 16
ZRGE - 17
Expedição punitiva
O ritual de tortura
Abril 86
Maio 86
ZG 136 - Tigre! Guido Nolitta/
Franco Donatelli/
Gallieno Ferri
ZRGE - 17
ZRGE - 18
O ritual de tortura
Tigre
Maio 86
Junho 86
ZG 137 - Dharma la strega Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 18
ZRGE - 19
Tigre
Dharma, a bruxa
Junho 86
Julho 86
ZG 138 - L'orrenda magia Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 19
ZRGE - 20
Dharma, a bruxa
A horrenda magia
Julho 86
Agosto 86
ZG 148 - La prova del fuoco Guido Nolitta/
Giancarlo Tenenti-
Gallieno Ferri
ZRGE - 09 A prova de fogo Setembro 85
ZG 149 - Guerriero rosso Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 09
ZRGE - 10
A prova de fogo
A marca da coragem
Setembro 85
Outubro 85
ZG 150 - Il segno del coraggio Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 10 A marca da coragem Outubro 85
ZG 167 - L'uomo invisibile Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE -20 A mensagem dos Munsee Agosto 86
ZG 168 - La tribù scomparsa Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE -20
ZRGE - 21
A mensagem dos Munsee
A tribo desaparecida
Agosto 86
Setembro 86
ZG 169 - Il vendicatore alato Guido Nolitta/
Gallieno Ferri
ZRGE - 21
ZRGE - 22
A tribo desaparecida
O vingador alado
Setembro 86
Outubro 86
ZG 186 - Il popolo della notte Alfredo Castelli/
Gallieno Ferri
ZGL -26 O povo da noite Fevereiro 87
ZGL - 27 O retorno do vampiro Março 87
ZG 187 - Il ritorno del vampiro Alfredo Castelli/
Gallieno Ferri
ZGL - 27
ZGL - 28
O retorno do vampiro
O reino das trevas
Março 87
Abril 87
ZG 188 - Il regno delle tenebre Alfredo Castelli/
Gallieno Ferri
ZGL -28
ZGL - 29
O reino das trevas
O horrendo contágio
Abril 87
Maio 87
ZG 189 - L'orrendo contagio Alfredo Castelli/
Gallieno Ferri
ZGL - 29 O horrendo contágio Maio 87
ZG 200 - Il tesoro maledetto Tiziano Scalavi/
Gallieno Ferri
ZRGE - 01 O tesouro maldito Janeiro 85

LEGENDA:
ZRGE - Zagor Rio Gráfica Editora; ZGL - Zagor Globo;
ASPECTOS A CONSIDERAR E OUTRAS CURIOSIDADES
  • Colecção publicada no formato 13,5x17,5 cm, o também conhecido como “formatinho”.
  • Até ao vigésimo sexto numero cada edição possui uma secção com seis a oito páginas, intitulada “Arquivos do Oeste”, onde são abordados diversos assuntos relacionados com o Oeste. O primeiro numero dos arquivos é dedicado aos “caubóis”.
  • No interior das revistas e nas contracapas era usual encontrar publicidade (produtos alimentares, lotaria, instituto universal brasileiro etc.).
  • Todas as histórias são retiradas da colecção ZAGOR italiana sem preocupação de seguir a cronologia.
  • Das quatorze histórias seleccionadas apenas duas não foram escritas por Guido Nolitta: “O tesouro Maldito” de Tiziano Scalavi e “O retorno do vampiro” de Alfredo Castelli.
  • Gallieno Ferri e Franco Donatelli são os dois desenhadores responsáveis pela quase totalidade das pranchas de todos os números. As excepções são Franco Bignotti que têm uma pequena participação na “A marcha do desespero” e Giancarlo Tenenti em “A prova de fogo”.
  • Diversas histórias foram alvo de mutilação pelas editoras que cortaram tiras e vinhetas.

MELHORES HISTÓRIAS
Existem cerca de duas centenas de histórias de Zagor, esta pequena colecção, de apenas trinta e oito números contem catorze dessas histórias. A selecção foi tão criteriosa, que as nove histórias abaixo seleccionadas como as melhores, podem ser indicadas não como as melhores desta colecção, mas sim, como de todas as que já foram publicadas.
Seguem-se pela ordem em que foram publicadas na colecção:
  
O tesouro maldito, argumento de Tiziano Scalavi e desenhos de Gallieno Ferri (1 – O tesouro maldito).
O aventureiro, argumento de Guido Nollita e desenhos de Gallieno Ferri (2 – O aventureiro, 3 – Zagor contra Supermike e 4 – A sétima prova).
A marcha do desespero, argumento de Guido Nollita e desenhos de Gallieno Ferri (4 – A sétima prova, 5 – Mensagem de morte, 6 – A marcha do desespero, 7 – A areia é vermelha e 8 – A ultima vitima).
Kandrax, o mago, argumento de Guido Nollita e desenhos de Gallieno Ferri (10 – A marca da coragem, 11 – Loucura homicida, 12 – O fantasma de Stone-Hill, 13 – Kandrax, o mago e 14 – A sexta lua).
Dharma, a bruxa, argumento de G. Nollita e desenhos de Franco Donatelli (17 – O ritual da tortura, 18 – Tigre, 19 – Dharma, a bruxa e 20 A horrenda magia).
Hammad, o egípcio, argumento de Guido Nollita e desenhos de Gallieno Ferri (22 – O vingador alado, 23 – Hammad o egípcio, 24 – Oceano, 25 – Bandeira negra e 26 – Capitão Serpente).
O retorno do vampiro, argumento de Alfredo Castelli e desenhos de Gallieno Ferri (26 – Capitão Serpente, 27 – O retorno do vampiro, 28 – O reino das trevas e 29 – O horrendo contágio).
Retorno a Darkwood, argumento de Guido Nollita e desenhos de Franco Donatelli (29 – O horrendo contágio, 30 – Retorno a Darkwood, 31 – Hora zero e 32 – Três homens em perigo).
Águas misteriosas, argumento Guido Nollita e desenhos de Franco Donatelli (32 – Três homens em perigo, 33 – Águas misteriosas e 34 – a ira dos Osages).

VALOR DA COLECÇÃO
Esta colecção é relativamente fácil de encontrar em Portugal e a preços bastantes acessíveis, apesar do último numero já ter mais de vinte e cinco anos. Nos diversos sites de leilões e nas poucas lojas de BD existentes em Portugal, podem ser encontrados a quase totalidade dos números, sem grande variação de preços. A grande maioria dos números pode ser adquirido a valores entre os três e os cinco euros e um preço justo para a colecção completa em óptimo estado, oscila entre os cento e trinta e os cento e 170 euros. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A banda desenhada é uma arte! Uma boa história não têm necessariamente de seguir um padrão, de estar amarrada a um género ou limitada a uma época. Para se poder apreciar uma história de BD por vezes é necessário “dar largas à imaginação”, “entrar na história”, interiorizar que o que estamos a ler, apesar de o escritor usar factos ou teorias aceites pela comunidade para torna-la credível, não passa de ficção. O mesmo se passa com o cinema, senão como seria possivel que filmes como: O exterminador implacável”, “O predador” ou “Alien”, só para mencionar alguns, fossem considerados sucessos de bilheteira?
As histórias de Zagor, apesar de decorrerem na América na primeira metade do século dezanove em pleno Far West, abordam temas diversificados e contemporâneos: Corrupção, abuso de autoridade, peculato, desenvolvimento cientifico ou mutações genéticas, são apenas alguns dos exemplos. 
Sérgio Bonelli criou um personagem que lhe permitia contar as mais variadas histórias, conseguindo articular generos aparentemente incompativeis, como horror e comédia, sem ultrapassar o limite da razoabilidade. Já o editor foi extremamente perspicaz e mostrou um grande conhecimento do personagem ao fazer uma excelente selecção de histórias, optando por histórias do periodo de 1969 a 1982, época em que foram escritas algumas das mais belas e, em que Guido Nolitta era o principal argumentista.
O ponto fraco da colecção é sem dúvida as dimensões da revista e a qualidade do papel, aspecto em comum com a maioria das colecções da gama Bonelli publicadas no Brasil desde os anos setenta. No entanto, a qualidade superior dos argumentos e roteiros, o verdadeiro valor desta colecção, faz com que esta pequena colecção de Zagor seja a opção ideal para o primeiro contacto com o personagem e um item obrigatório nas colecçoes dos “Zagorianos”.

FONTES: