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domingo, 9 de outubro de 2022

NOVOS PROBLEMAS

Zagor, personagem da BD italiana conhecida como “fumetti”, criado por Sergio Bonelli (argumento) e Gallieno Ferri (desenho) em 1961, somente em 1978, dezassete anos depois foi publicado no Brasil. O percurso deste herói, neste país da América do Sul, e as dificuldades dos fãs em aceder às suas aventuras não tem sido fácil, conforme demonstrei em 2010, num texto intitulado de PROBLEMAS.

Contudo, passados doze anos desde PROBLEMAS, se olharmos para trás facilmente percebemos que as adversidades sentidas, na época, começaram a ser eliminadas após 2001, ano em que a editora Mythos decidiu continuar a publicação do personagem.

Na verdade, a Mythos iniciou a publicação de Zagor no Brasil em junho de 1999, lançando para as bancas o primeiro número da coleção ZAGOR (ZM), com a história “O anjo da vingança” extraída da coleção italiana SPECIALE ZAGOR Nº 9, no entanto, devido ao baixo volume de vendas, a série foi interrompida logo após a saída do terceiro numero e ficou na “gaveta” até julho de 2001: data em que a editora, felizmente, decidiu dar uma nova oportunidade ao personagem, optando por continuar a coleção em detrimento de lançar uma nova, e que inicia um ciclo, ininterrupto, de publicações até aos dias de hoje.

Após comprovar o sucesso de ZM, em agosto de 2002, a editora faz uma nova aposta no “Espirito da Machadinha” e lança ZAGOR ESPECIAL (ZEM), com a aventura “Pequenos assassinos” que a editora Record havia deixado incompleta, quando, em setembro de 1995, encerrou a coleção ZAGOR (ZR), no Nº 64.

Em abril de 2004, ainda com muito material inédito no Brasil para publicar, a editora reitera a aposta no “Rei de Darkwood” e coloca uma nova coleção nas bancas: ZAGOR EXTRA (ZXM): nos primeiros números incluía apenas aventuras completas extraídas de ZAGOR ALMANACCO, mas a partir do oitavo numero começa a publicar aventuras extraídas do ZAGOR italiano, de uma fase anterior à que estava a ser publicada em ZM.

Por vários anos, com três coleções em simultâneo nas bancas a publicarem histórias inéditas do personagem, extraídas das diversas coleções italianas, os zagorianos, portugueses e brasileiros, só poderiam estar satisfeitos. Mas não completamente, faltava algo! Faltava uma coleção que publicasse por ordem cronológica as aventuras de Zagor! Havia também a questão do formato das publicações, que alguns colecionadores reclamavam do famigerado “formatinho”, exigindo o “bonelliano”, e também da fraca qualidade do papel utilizado, por vezes muito fino e escuro. Mas globalmente só poderiam estar satisfeitos.

Mas será que estava tudo bem com as publicações de Zagor?

A prova que não estava tudo bem foi dada em fevereiro 2012, numa entrevista concedida pelo próprio Dorival Vitor Lopes (DVL), a Pedro Cleto, no blogue do Tex, em que confidenciou que os personagens que menos vendiam eram Zagor, Mágico Vento e Júlia, e que se considerava satisfeito por ter conseguido estabilizar as vendas.

Esta informação passou despercebida à maioria dos colecionadores, até porque não houve implicações imediatas, com a editora a publicar, até agosto de 2013, mais de trezentas edições de ZM, ZEM e ZXM, a que se juntaram mais três edições de ZAGOR GIGANTE, três de AS AVENTURAS DE CHICO e quatro[1] edições especiais. Nesta fase, as dificuldades que afetaram as editoras antecessoras e que levaram ao cancelamento precoce das suas coleções pareciam não afetar a Mythos, mas um comunicado da editora, em oito de agosto, sobre alterações de estrutura, preço e periodicidade de ZM, ZXM e JÚLIA, justificadas por mudanças no sistema de distribuição, recolhimento e pagamento das revistas, mostrou que a realidade poderia ser um pouco diferente.

Ainda assim, e por mais ano e meio, as coleções de Zagor continuaram nas bancas, como habitualmente, e provavelmente a maioria dos colecionadores já havia esquecido o comunicado da editora, quando, em março de 2015, a coleção ZXM é encerrada no Nº 123, com a inusitada justificativa que não existia material inédito para publicar.

Apenas um ano depois, em março de 2016, um novo comunicado da editora intitulado "O futuro de Tex e demais personagens Bonelli no Brasil" sobressalta, novamente, os fãs com a informação que ZM, JÚLIA e TEX COLEÇÃO tinham começado a dar prejuízo juntamente com TEX EM CORES, e TEX GIGANTE COLORIDO, e que o futuro das publicações dependia dos colecionadores. Com este novo comunicado os zagorianos perceberam que a melhor fase de Zagor no Brasil estava a terminar, e que em pouco tempo se arriscavam a ficar, novamente, sem qualquer publicação nas bancas, como nos períodos pós Vecchi e pós Globo (cerca de ano e meio) ou pior, como no período pós Record - quase quatro anos.

Não conseguindo inverter a situação negativa, os cancelamentos indesejados continuaram: em novembro de 2018 a Mythos cancelou ZM, no Nº 181, e dois anos depois, o ZEM no Nº 71, encerrando um ciclo, o do “formatinho”. Mas nem tudo foi negativo, apesar dos maus resultados das vendas, a editora continuava a acreditar no sucesso de Zagor, e, antes de cancelar ZEM, em julho de 2020, atende a uma exigência antiga dos zagorianos e coloca nas bancas o primeiro numero de ZAGOR CLASSIC (ZC): coleção em formato italiano que publica as aventuras de Zagor pela ordem cronológica de ZAGOR italiano.

Afinal as piores expetativas não se confirmaram e os zagorianos não ficaram sem acesso às aventuras do “Herói de Darkwood”! Apenas um mês após o cancelamento de ZEM, e de uma forma surpreendente considerando que uma das principais razões para os cancelamentos tinha sido o fraco volume de vendas, a editora lança uma nova coleção de Zagor: ZAGOR NOVA SÉRIE (ZNS). Com esta nova coleção, e em apenas seis meses, a editora reformulou o seu catálogo de Zagor encerrando o ciclo do “formatinho” e colocando no mercado duas propostas muito desejadas pelos colecionadores: ZC, que publica as aventuras clássicas do personagem, e ZNS, histórias mais atuais. 

Das novas publicações destaca-se, claramente, ZNS que supera todas as minhas expetativas! As edições apresentam-se em formato italiano, incluem histórias completas e bastante atuais, e são dotadas de lombadas elegantes, modernas e atraentes, e de capas, que não sendo cartonadas, são de boa espessura e apresentam-se “limpas” de texto desnecessário. O papel utilizado é de muito boa qualidade, de boa gramagem, muito branco, e a impressão é excelente. Atrevo-me a dizer que esta é a coleção que os zagorianos reivindicavam, à Mythos, desde que a editora publica o personagem, e que é, muito provavelmente, a melhor coleção de “O Espírito da Machadinha” já publicada no Brasil, superando, inclusive, as coleções da editora Record.

Mas então, se temos nas bancas, provavelmente, a melhor coleção de Zagor jamais publicada no Brasil, a publicar histórias recentes, e uma segunda coleção que publica, cronologicamente, de inicio, as aventuras do personagem, qual é o problema?

O problema continua a ser a existência de muitíssimo material inédito que estas duas coleções não terão oportunidade de publicar! ZNS, que publica exclusivamente histórias retiradas do ZAGOR italiano, em 2022 e até à data, teve apenas quatro edições, e mesmo que venha a existir uma quinta, no final do ano, na melhor das hipóteses, terá publicado duas ou três edições a mais de um ano do ZAGOR italiano, não conseguindo, portanto, reduzir (substancialmente) o número de histórias inéditas.

Quanto a ZC, com mais de dois anos de existência, e com quinze edições publicadas de cerca de cem páginas, apenas publicou as primeiras doze[2] edições do ZAGOR italiano. A este ritmo a coleção levará mais de quatro anos até publicar a primeira história inédita[3], e pior, mais de sete ou oito anos até ultrapassar esta fase do personagem em que as aventuras eram mais dedicadas à gama infantil/juvenil.

Ainda relativamente a ZC, confesso que não entendi a opção por edições com cerca de cem páginas. Não está conforme a edição italiana que inicialmente possuía 130 páginas, pelo que a partir quarto numero deixou de existir correspondência entre as duas séries. Ao não cumprir o requisito de seguir, religiosamente, a edição italiana, a edição como está deixa de fazer sentido, pelo que, para ultrapassar rapidamente a fase infantil/juvenil, a melhor solução seria a adotada para ZNS, ou o “OMNIBUS”, ou seja, publicar apenas histórias completas em edições muito volumosas. Fica a sugestão.

Já se passaram duas décadas desde que a Mythos iniciou a publicação de Zagor no Brasil e apesar das dificuldades sentidas ao longo de todo o processo, das vendas reduzidas em determinadas épocas, dos cancelamentos sucessivos, a verdade é que nunca desistiu do personagem, mesmo em 2020, quando o mundo se encontrava no inicio de uma crise sem paralelo, a editora correu riscos e lançou as duas [4] atuais coleções.

É verdade que falta uma outra coleção para publicar as histórias, ainda inéditas, das diversas coleções italianas, uma vez que ZC, e ZNS, apenas publicam as histórias extraídas de ZAGOR italiano. Mas também é verdade que a crise atual é gravíssima e pode prolongar-se por muitos meses, ou mesmo anos, e que, apesar das dificuldades, a Mythos solucionou grande parte dos problemas de colecionar Zagor no Brasil com as duas coleções atualmente nas bancas: colecionar pela ordem cronológica -  algo que não era possível desde que a editora Record cancelou o ZAGOR EXTRA (ZER) em 1991 - e acompanhar as aventuras recentes do personagem.

NOTAS FINAIS:

Eu próprio, que já questionei e critiquei por diversas vezes opções editoriais da editora, principalmente em Tex (Recomeçar e O limite da tolerância ), mas também em Zagor (Edições comemorativas e Ponto de rutura),  e ainda no geral (Audácia editorial ou loucura empresarial?), atualmente, estou muito agradecido à Mythos pela coragem e ousadia de continuar a publicar, em situações tão adversas, “O Espirito da Machadinha”. Espero que tenham sucesso e, caso venham sentir dificuldades, que resistam aos cancelamentos e que se lembrem de 1999: é preferível diminuir o numero de edições por ano, ou “congelar”, do que cancelar! A pausa feita entre o terceiro e quarto numero de ZM assim o comprova.

LEGENDA:

·         ZM           - ZAGOR MYTHOS

·         ZEM        - ZAGOR ESPECIAL MYTHOS

·         ZR           - ZAGOR RECORD

·         ZXM        - ZAGOR EXTRA MYTHOS

·         DVL         - DORIVAL VITOR LOPES

·         ZC           - ZAGOR CLASSIC

·         ZNS        - ZAGOR NOVA SÉRIE 


[1] Zagor - Vingança Vodu — Edição Encadernada, Zagor 25 Anos No Brasil, Zagor Especial 30 Anos e Zagor - Os Muros de Jericho.

[2] O Nº 12 ainda não foi publicado na totalidade, faltam cerca de quarenta páginas.

[3] Aventura publicada em: Zagor 035 - I ricattatori, Zagor 036 - Solo contro tutti e Zagor 037 - L'ultima sfida.

[4] Três coleções se considerarmos o COLOR ZAGOR lançado em novembro de 2021, que até ao momento teve apenas duas edições e que publica aventuras extraidas da homónima italiana. 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

AUDÁCIA EDITORIAL OU LOUCURA EMPRESARIAL?

Com o anunciado regresso dos personagens Dylan Dog (DD), Martin Mystiere (MM), Nick Raider (NR) e Nathan Never (NN) às bancas brasileiras previsto para o final de Inverno, início de Primavera, 2018 prepara-se para ser um ano magnifico para os apreciadores da banda desenhada, especialmente para os fãs da gama Bonelli. Além dos aguardados regressos, a destacar o lançamento de várias edições especiais de Tex, (originadas pelos 70 anos do personagem), e a manutenção de todas as coleções da gama com exceção do TEX EM CORES (TC), que foi cancelado[1]. Adicionalmente, em concorrência com as publicações da Mythos, teremos o fantástico TEX GOLD da Salvat. O elevado número de publicações previsto para 2018 torna o Brasil no segundo maior mercado Bonelli, somente suplantado pela Itália, facto surpreendente tendo em conta que o país continua a atravessar uma grave crise económica, financeira e politica!

As novas publicações apresentar-se-ão no formato Bonelli, com histórias completas e selecionadas, pelo que se deduz, sem respeito pela cronologia. Todos sabemos que existem colecionadores que não apreciam histórias em continuação, pelo que as opções da Mythos por histórias completas e selecionadas são perfeitamente compreensíveis, ainda mais justificadas pelo elevado número de aventuras, disponíveis, que continuam inéditas no Brasil.

No entanto, atendendo ao elevado número de publicações prevista para 2018, à grave crise que afeta o povo brasileiro, à concorrência provocada pela Salvat, com o excelente TEX GOLD que além da excelente qualidade acrescenta um ótimo preço, poderão estas publicações ter sucesso?


E a seleção de personagens? Serão estes os mais adequados para lançar? Porque não Mister No ou, a excelente série, A HISTÓRIA DO OESTE?  Quais os critérios de seleção dos personagens a publicar?

O formato italiano e o numero de páginas por edição são outras questões pertinentes! Muitos leitores demonstram a preferência por este formato e, verdade seja dita, a editora já tentou, sem sucesso, implementa-lo[2] nas suas publicações. Porque é que esta tentativa há de ser diferente?

Mais grave, será que estes lançamentos não colocarão em causa publicações como ZAGOR, ZAGOR ESPECIAL (ZE) ou JÚLIA que em 2013 foram alvo de alterações, à forma como se apresentam, para se manterem nas bancas?

As intenções da Mythos são muito ambiciosas e louváveis, mas, aparentemente, a tomada de decisão é mais ditada pelo coração do que pela razão, senão vejamos:


Em 2012, em entrevista realizada por Pedro Cleto publicada no blogue do Tex, Dorival Vitor Lopes (DVL) confidenciou que os títulos da editora que menos vendiam eram ZAGOR, MÁGICO VENTO (MV) e JÚLIA, que as vendas destes personagens tinham estabilizado, e que publicar revistas no formato original italiano significaria aumentar muito o preço de capa. Se considerarmos que nestes últimos 6 anos a conjuntura económica brasileira piorou drasticamente, que DD, MM, NR e NN já foram publicados no Brasil[3] e que foram cancelados, pressupõe-se, por venderem menos que Zagor, MV e Júlia[4], que razões é que levam a editora a acreditar que é possível lançar, com sucesso, as 4 publicações em formato italiano, em datas tão próximas[5]?

O próprio editor da Mythos reconhece que os colecionadores exigem todo o tipo de coleções, mas na altura de comprar encontram mil e uma desculpas para não o fazer[6]. O formato, o preço, o papel, por não ser colorido, por ser colorido, por não respeitar a cronologia, etc.


Em agosto de 2013 a Mythos procedeu a modificações nas coleções de Zagor e Júlia, dobrando o numero de páginas por edição e o preço, e alterando a periodicidade para bimestral. Alterações que visavam adaptar/melhorar o sistema de distribuição, recolhimento e pagamento das revistas, com o objetivo de melhorar a rentabilidade das mesmas. Considerando que estas alterações visavam as publicações menos rentáveis, e que as novas publicações a lançar em 2018 vendiam menos, quando publicadas, que ZAGOR, ZE e JÚLIA, e que por este motivo foram canceladas, não seria mais adequado implementar essas alterações nas novas publicações?


Em Março de 2016 a Mythos dirigiu-se aos fãs, num comunicado intitulado “O futuro de Tex e demais personagens Bonelli no Brasil”, demonstrando grande preocupação com as suas publicações. No comunicado, DVL informava que ZAGOR, JÚLIA E TEX COLEÇÃO (TXC) tinham entrado no vermelho, isto é, tinham começado a dar prejuízo juntamente com TC e TEX GIGANTE COLORIDO e transmitia a ideia de que o futuro das publicações estava nas mãos dos colecionadores o que gerou uma onda de comentários:

 “…. Realmente com a crise que afeta o nosso país (Brasil) eu mesmo de um ano para cá passei a comprar apenas o Tex mensal e algumas poucas outras edições, como por exemplo Tex Ouro, Tex Gigante. …”[7]

“Como sugestão eu digo que os repetecos com cara de encalhe com capa nova não irão atrair novos leitores. Por isso acho que deveria enxugar o número de edições no mercado. ...”[8]

“…. Se a editora pensar logicamente, pensando em lucrar e se sustentar no mercado sem trabalhar no vermelho, precisa rever algumas coisas. Precisa se organizar.  Antes de mais nada deve reduzir a quantidade de “coleções” de Tex que está indo pra banca. …”[9]

Eu tenho comprado regularmente tudo que a Mythos publica de nosso Tex – sou fã e colecionador há mais de 30 anos. Mas confesso que tenho enfrentado muita dificuldade para continuar. …”[10]

“.... Reduzir o numero de títulos e publicar só historias inéditas é uma forma de aumentar as vendas de cada um. Perante o cenário manifestado, talvez seja a única forma da manutenção, de, pelo menos, alguns títulos.”[11]

As sugestões e criticas são muito variadas, mas há uma critica que se destaca pela quantidade: excesso de publicações à venda! Como se pode observar pelos comentários já apresentados e que continuam:

“… diminuir a quantidade de repetecos, estamos vivendo uma época de crise, isto é um fato e os leitores não tem condições de adquirir todas as edições que saem nas bancas, …”[12]


“…. Eu acho que existe muito repetecos em Tex, … Como disse o Everton a editora tem que pensar na sua própria sobrevivência, vai ter repensar. Me desculpe ai, mas não entendi o porquê deste Tex Platinum, para mim totalmente desnecessário este lançamento, … Só porque tem um acabamento melhor? Isso não, dinheiro não dá em árvore.”[13]

“Sou colecionador há mais de 25 anos. Tenho 14.000 revistas em minha coleção (de tudo que é estilo). Acho que a Mythos sobrecarregou o mercado com títulos Tex. Isso pode ser bom pra pessoas que podem comprar tudo, mas não é nada salutar para um mercado em crise como o brasileiro.  Reduzam para o essencial.”[14]

“Disse, quando não vende cancela, muitos inclusive o Editor foram contra, o que fazer então se uma revista não está vendendo, a Editora vai bancar os prejuízos pra agradar os leitores?  Os que não querem as suas revistas canceladas vão pagar um preço 10 vezes a mais pra manter as revistas em banca? Sou contra pagar esses preços exorbitantes nessas revistas, …”[15]

Estes são alguns dos variados comentários de colecionadores que pensam que existem demasiadas coleções de reedições, eu próprio me identifico com essa posição “…. Em minha opinião existem demasiadas coleções de reedições em publicação, muitas delas sem qualidade, reduzindo as vendas de todas porque dividem os poucos colecionadores na hora de comprar, porque são raros os que compram tudo.”[16]

O editor percebeu que uma das sugestões dadas pelos colecionadores era a redução das publicações existentes “…. Nos comentários acima, nota-se que quase todos defendem as coleções que fazem: “Nas minhas vocês não devem mexer, nas outras que eu não compro, pode.””

O que é um facto! Grande parte dos leitores não se importa com o cancelamento de determinadas séries, as que não coleciona! O editor argumenta: “…Como editor eu tenho que pensar em TODOS os leitores. … As republicações – que muitos criticam – são importantes para os leitores novos. …”

Sem dúvida, as republicações são importantes e devem existir, mas não podem, por serem demasiadas e por concorrerem entre elas, colocar em causa a existência de todas. Como referiu Pedro Pereira “…. Diz-se que por vezes é preciso cortar uma mão para salvar um braço e talvez seja isso que há a fazer: reduzir o número de publicações!...”.


Confesso que não compreendo as opções da Mythos! Não as percebi quando lançou TC e manteve OS GRANDES CLÁSSICOS TEX (OGCT)[17] em concorrência direta. Não compreendo o excesso de republicações que dividem as vendas, esmagam as margens de lucro e colocam em causa, porventura, ZAGOR, ZE e JÙLIA, as publicações que menos vendem. Não compreendo que em época de grave crise se lancem, praticamente em simultâneo e sem ter conhecimento das vendas de cada, quatro personagens que quando publicados pela mesma editora[18], vendiam menos que qualquer um dos atualmente publicados. Não compreendo que não se faça uma sondagem aos leitores/compradores sobre os personagens que gostariam/comprariam[19]. E não compreendo que as medidas adotadas para rentabilizar ZAGOR, ZE E JÚLIA, mais precisamente, edições bimestrais e 200 páginas por edição não sejam utilizadas nas novas publicações.


É verdade que o lançamento de qualquer publicação, de qualquer personagem, tem riscos! E também é verdade que o publico em geral não têm acesso aos dados que possibilitaram a tomada de decisão. Todavia, a difícil conjuntura que o Brasil atravessa, a concorrência movida pelo TEX GOLD da Salvat, o excesso de publicações Bonelli nas bancas, os poucos leitores que os novos personagens têm no Brasil, e o ritmo acelerado com que as novas publicações vão entrar nas bancas, leva-me a perspetivar que as novas coleções terão uma vida editorial muito curta, e que a tomada de decisão para os respetivos lançamentos, aparenta ter, mais de "loucura" empresarial do que audácia editorial.

NOTAS FINAIS:

Nota 1: mais do que criticar a Mythos e seus responsáveis, que considero pessoas muito competentes, com larga experiencia na área, aos quais a BD e os colecionadores muito devem, pretendo expressar a minha opinião, e se à algo que a Mythos não pode ser acusada é de falta de coragem ao lançar 4 coleções na atual situação.

Nota 2: relativamente às novas publicações, apenas tenciono comprar MM que, em minha opinião, juntamente com DD, são as únicas que têm algumas probabilidades de sucesso. A publicação de NN é a menos compreensível, sinceramente acredito que será cancelada antes do quarto numero e que Mister No ou A HISTÓRIA DO OESTE teriam maiores probabilidades de sucesso. Do material mais recente da SBE gostaria que a Mythos publicasse “Le Storie”, aventuras fechadas e diversificadas.

Nota 3: Não sou contra republicações! Sou contra republicações que dão prejuízo e que colocam em causa outras publicações pela divisão dos colecionadores na altura da compra. Se a coleção dá lucro então deve manter-se. Até 2016 comprava todas as publicações da Mythos da gama Bonelli com exceção de JÚLIA. Parei de comprar TXC, TEX OURO E TEX EDIÇÃO HISTÓRICA por considerar publicações caras e por não terem qualidade e nunca comprei TEX PLATINUM. Com referi são demasiadas publicações e, à semelhança da grande maioria dos colecionadores, não tenho poder aquisitivo para adquirir tudo o que é publicado pelo que, tenho de fazer opções.

Nota 4: Não sou a favor do cancelamento se a coleção dá prejuízo! Sou a favor do cancelamento se a coleção dá prejuízo, reiteradamente, ao longo de um largo período e sem perspetivas de viabilidade.

REFERENCIAS:



[1] Num comentário ao POST “UM ANO BOMBÁSTICO” DVL coloca a hipótese de continuar a coleção futuramente.
[2] TEX E OS AVENTUREIROS, dos 6 numeros previstos, como resultado das baixas vendas, o sexto numero já foi publicada no “formatinho”. TEX EM CORES, a publicação foi interrompida por diversas vezes sendo o ultimo numero o 34. CASSIDY&DEMIEN que inclui duas minisséries dos dois personagens, de 18 volumes cada, foi cancelada no numero 5.
[3] Dylan Dog teve 40 edições regulares publicadas pela Mythos entre julho de 2002 e dezembro de 2005. Martin Mystière teve 42 edições pela Mythos e foi publicado entre agosto de 2002 e janeiro de 2006. A coleção NICK RAIDER da Mythos teve apenas 16 números publicados entre agosto de 2002 e fevereiro de 2004. Nathan Never é o único personagem dos 4 anunciados que nunca teve coleção própria na Mythos, teve apenas uma história curta publicada no TEX E OS AVENTUREIROS Nº1.
[4] Nathan Never e Nick Raider já tinham sido cancelados aquando do lançamento de Júlia.
[5] DYLAN DOG e MARTIN MYSTIERE têm o lançamento previsto para março e os seguintes números para abril, julho e setembro. NICK RAIDER e NATHAN NEVER prevê-se a estreia em maio, com os números seguintes a serem publicados, respetivamente, em junho, agosto e outubro. Pelas datas de publicação não é possível identificar a periodicidade, no entanto, se as coleções tiverem continuação após os 4 números previstos para 2018, aparentam ser bimestrais.
[6] TEX E OS AVENTUREIROS, TEX EM CORES E DEMIEN E CASSIDY são 3 exemplos de publicações que foram canceladas devido ao baixo volume de vendas.
[7] Comentário de Jean César Vasconcelos
[8] Comentário de Jessé Bicodepena
[9] Comentário de Everton Junior Pelisson
[10] Comentário de Rouxinol do Rinaré
[11] Comentário de Jorge de Carvalho
[12] Comentário de Paulinho
[13] Comentário de Lupercio Brambilla
[14] Comentário de Walber Feijó
[15] Comentário de Nei Campos
[16] No texto intitulado "O limite da tolerância" expressei a minha opinião sobre o número excessivo de títulos de Tex existentes nas bancas e prováveis consequências que, felizmente até ao momento, não se verificaram.
[17] No artigo “RECOMEÇAR” procurei demonstrar que a manutenção da coleção OGCT em simultâneo com TEX EM CORES poderia resultar no insucesso de ambas.
[18] Somente Nathan Never não teve uma coleção pela editora Mythos.
[19] A Mythos possui no seu site o registo muito fiável para efetuar uma sondagem: os clientes da loja que efetuam as suas compras diretamente na Mythos. Um simples inquérito enviado para o email dos clientes questionando-os sobre que personagem Bonelli gostariam de ver nas bancas, formato, quantidade de páginas etc. seria uma forma bastante eficaz de recolher a informação para fundamentar a escolha. Como contrapartida para incentivar os clientes a responder oferecer uma revista a enviar em futura compra, (para não ter custos com o envio).

PS: Texto publicado no blogue do Tex em 14 de janeiro de 2018.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O LIMITE DA TOLERÂNCIA

PIB BRASILEIRO - 2015 ESTIMATIVA FMI
2015 Foi um ano horrível para o povo brasileiro! Após diversos anos de crescimento económico elevado, em média anual de 4,4% no período de 2004 a 2011, o Brasil entrou em recessão no final de 2014, como resultado de uma acumulação de más politicas internas. Os indicadores económicos foram sucessivamente revistos em baixa ao longo de 2015, por diversas entidades, entre as quais a Standard & Poor`s, que perspetivou no final desse ano, queda de 3,2% para 2015, e de 2% para 2016. Previsões confirmadas pelo governo brasileiro em Novembro último, reafirmando esperar fechar o ano com uma queda do PIB de 3,1%. O pior resultado dos últimos 25 anos! O último ano em que o PIB brasileiro sofreu uma queda superior a 3% foi em 1990, com 4,35%! Parece inevitável que a recessão será muito mais profunda e duradoura que o inicialmente esperado. Os brasileiros já estão a sofrer o impacto através de uma inflação elevada em serviços e bens essenciais, que deve superar os dois dígitos também em 2016, na desvalorização do real, no aumento do desemprego, nas elevadas taxas de juro e na perda de poder de compra.

COLEÇÃO DE MOEDAS
Colecionismo é um fenómeno muito interessante! O que é que move uma pessoa adulta, bem formada, a colecionar, por exemplo, pacotes de açúcar? Ou miniaturas de automóveis? Será uma obsessão? Paixão? Vicio? O homem pré-histórico já guardava artefactos necessários à sua vida quotidiana, mas esse ajuntamento de objetos, tornava-o colecionador? As opiniões divergem, os arqueólogos atribuem esse hábito de guardar os artefactos à necessidade de sobrevivência. Não obstante as divergências de opinião, é consensual a ideia da existência do colecionismo na época anterior a Cristo, em que o imperador Caio Júlio César, governante romano entre 69 A.C. e 44 A.C, já era, historicamente comprovado, um colecionador fascinado pela arte grega. Coleciona-se principalmente por prazer, por diversão, mas também pode ser, por investimento. Como as coleções de selos, de moedas ou as de quadros! Tudo é colecionável, depende da motivação e do interesse do colecionador. Além das coleções mais tradicionais já referidas, as mais conhecidas são as de banda desenhada, postais, cromos, ou discos de vinil. Algumas coleções recebem nomes específicos como a de moedas - numismática, selos – filatelia, ou livros - bibliofilia. Em alguns casos o colecionismo é muito mais do que um prazer, um passatempo, ou mesmo um investimento. Colecionar pode ser enriquecedor na aquisição de conhecimentos ao nível das artes, geografia ou história, como na filatelia temática ou na numismática. As tarefas associadas ao ato de colecionar acabam por proporcionar benefícios aos colecionadores, desenvolvendo-lhe capacidades de observação, de raciocínio, de análise entre outros, tornando-os indivíduos mais organizados.

CADERNETA DE CROMOS
MUNDIAL DE FUTEBOL 1982
Desde muito cedo me interessei pelo colecionismo! As minhas primeiras coleções foram de cromos e ainda me recordo da última coleção que completei: Mundial de futebol de 1982. Mas o que realmente me interessava nessa época era a BD! Nos finais dos anos setenta do século passado lia praticamente tudo o que conseguia arranjar, quer através das compras, pouquíssimas, quer através de trocas ou empréstimos, muito vulgares na época. Mas isso só não me satisfazia! Gostava de ter as revistas impecáveis e as trocas ou empréstimos não me davam essa garantia! Pelo que muito cedo decidi comprar e guardar, iniciando desta forma a minha coleção, que continua a “engordar” até aos dias de hoje, passados mais de três décadas. 


TEX EDIÇÃO BRASILEIRA

Como a grande maioria das pessoas não possuo recursos financeiros ilimitados, pelo que, infelizmente, tive de fazer opções. Atualmente apenas coleciono as edições brasileiras de Tex e Zagor! Parece pouco mas não é! Basta pensar que só Tex têm dez coleções em publicação, a que acrescem as duas de Zagor. TEX OURO (TXO), TEX EDIÇÃO HISTÓRICA (TEH), TEX COLECÇÃO (TXC), TEX EM CORES1 (TEC) E TEX GIGANTE EM CORES publicam histórias já publicadas anteriormente em outras coleções, que acrescentam apenas algumas particularidades, como as capas ou matérias inéditas, novos formatos, ou a colorização.


Então, se o manter destas coleções é muito dispendioso, e se quase metade delas são repetições de outras, que já possuo, o que é que me motiva a mantê-las?

Ser colecionador é ser um pouco irracional! Irracional no sentido de fazer determinadas compras que a maioria não compreende. Principalmente em situações de grave crise económica, como a que o Brasil atravessa, e a que Portugal têm sentido nos últimos anos. E se gastar tanto dinheiro em revistas já é incompreensível para muitos, fazê-lo em revistas cujas aventuras já li, e que possuo em outras publicações, mais inexplicável é! Não é por considerar um investimento! Para esse fim existem outros tipos de produtos que considero mais adequados! A única explicação que encontro é o prazer de possuir tudo o que for publicado do personagem no Brasil. Objetivo a que me propus há muitos anos atrás. Como agravante o facto de não ler todas as republicações, apenas aventuras de que gostei particularmente ou quando não tenho outras opções. Deste modo é normal passarem-se largos meses sem ler nenhuma das coleções de republicações! A última encomenda que recebi do Brasil apenas me trouxe sete edições originais, pelo que rapidamente foram “devoradas”. Voltei-me assim para os TXO 78 e 79, com excelentes capas cartonadas, muito bonitas, mas com um preço extremamente elevado. Compensa pela apresentação e pelo facto de serem histórias completas! Pensei eu antes de folhear a revista, mas rapidamente mudei de ideia ao fazê-lo.

PÁGINAS 40 E 41 DE TEX OURO 78 TÊM UMA IMPRESSÃO TÃO CARREGADA QUE DESTRÓI COMPLETAMENTE A ARTE DO DESENHADOR.
Que porcaria! Como é possível colocarem revistas nestas condições à venda e com um preço tão elevado? Será que a editora não faz uma prova antes de enviar o material para a impressão? E o controlo de qualidade? Não funciona ou não existe? O que é que adianta dotar a revista com um excelente capa se depois o miolo se apresenta com uma impressão deplorável? Mais incompreensível se torna por os responsáveis da editora serem Helcio de Carvalho e Dorival Vitor Lopes! Pessoas com um largo passado ligado à BD, amantes da nona arte aos quais a BD brasileira muito deve nas últimas décadas! Uma história de BD é uma novela gráfica em que o texto e o desenho são igualmente importantes! Muito raramente uma aventura é considerada uma excelente história só por ter um excelente texto ou desenho. Como é que a editora espera conquistar novos leitores se destrói completamente cinquenta por cento dos atrativos da publicação?

PÁGINAS DE TXO 79, A MESMA IMPRESSÃO CARREGADA DE TXO 78. SENÃO EXISTISSE INFORMAÇÃO NO CARTUCHO DA 1ª VINHETA NINGUÉM ACREDITARIA QUE A AÇÃO DECORRIA NUMA MANHÃ.
ALMANAQUE TEX 32
A Mythos assumiu a publicação de Tex no Brasil em Janeiro de 1999 sucedendo à Globo, mantendo a numeração das coleções existentes em respeito pelo personagem e pelos leitores e em apenas dois meses consegue publicar a sua primeira coleção: TEX GIGANTE. Com cinquenta anos de histórias do personagem à disposição a editora decide apostar em força e, ao longo dos anos, os títulos vão chegando ao mercado. Alguns deles entretanto cancelados, como TEX ESPECIAL DE FÉRIAS, TEX E OS AVENTUREIROS e OS GRANDES CLÁSSICOS TEX (OGCT). Em minha opinião a pior coleção lançada pela editora pois considero-a uma reedição desordenada TEH! Em Maio de 2007 com a publicação do ALMANAQUE TEX 32 a editora cumpre um dos objetivos que se tinha proposto: publicar todas as histórias do personagem que se mantinham inéditas. Passados desassete anos, fruto da existência das inúmeras coleções que publicam histórias das diversas fases do herói, a Mythos já publicou pelo menos por uma vez, 99%2 das aventuras de Tex Willer. Deste modo, o colecionador fiel a todas as coleções que a editora colocou no mercado, se as mesclar, dispõe da quase totalidade das aventuras publicadas em quase sessenta e oito anos de existência. É obra!

Apesar de considerar globalmente positivo o trabalho da editora não consegui ficar indiferente à péssima qualidade de TXO 78 e 79, pelo que decidi verificar as outras coleções, esperançado que se tratasse de um caso isolado. Infelizmente é muito mais grave! Várias edições de TXO, TEH e TXC apresentam impressões horríveis, o que me leva a questionar: Será que vale a pena continuar? Para quê desperdiçar dinheiro se já tenho as histórias e se as edições de há vinte ou trinta anos têm melhor impressão que as atuais? Confesso que estou a atingir o meu limite, em o prazer de possuir as coleções completas não justifica o preço que estou a pagar por uma qualidade tão baixa. Quantos outros colecionadores não estarão próximos desse limite?

Esmiuçando os problemas das diversas coleções, começando pelo TXC3. 

TEX COLEÇÃO 364 COM DESENHOS DE CLAUDIO VILLA. CONSEGUE IDENTIFICAR O TRAÇO?
TEX 247 COM UMA IMPRESSÃO
 BEM NÍTIDA
As pranchas apresentarem-se com uma impressão demasiada carregada, escurecida, escondendo detalhes, iludindo o leitor sobre o momento da ação e, em alguns casos, destruindo completamente a arte do desenhador, é o principal problema desta publicação. Os desenhadores mais afetados são os que mais detalham os desenhos, e que mais utilizam o preto, como Ortiz ou Fusco. Mas não só, até os artificies da nona arte mais apreciados atualmente, como Fabio Civitelli ou Claudio Villa, vêm os seus trabalhos completamente ofuscados em algumas edições, para não utilizar uma expressão mais gravosa. Outro problema que afeta esta coleção é a falta de nitidez! Os desenhos parecem desfocados, se conjugado com a impressão demasiado escura... Uma fase em que se encontram os desenhos desfocados e escurecidos é entre o 361 e o 369. Segue-se uma fase em que apenas se encontram as pranchas demasiadas escurecidas, entre os números 370 e 390. Voltando a piorar após o 391.

TXC 391 IMPRESSÃO ESCURECIDA,
FOSCA NUM PAPEL POUCO BRANCO
Curiosamente, o papel utilizado nesta coleção até é de uma boa gramagem, pecando apenas pela falta de brancura em algumas edições. Falta referir a numeração das páginas que considero apenas um pormenor: Existiam falhas até ao 369, por vezes não existia numeração, outras a falta do logotipo. Aspeto que aparentemente foi corrigido! Depois desse número todas as revistas incluem a numeração com o logotipo! Para comprovar o que afirmo recomendo a observação do 364, “O rancho dos homens perdidos” de Villa, do 366, “A caverna dos Thugs” com Galep, ou, “O sangue no rio” de Fusco. Três desenhadores de inegável qualidade, que nestes trabalhos estão praticamente irreconhecíveis devido à péssima qualidade gráfica, ou ao trabalho de pré-impressão.




TEH 78
TEH4 apresenta os mesmos defeitos, mas de uma forma bem mais ligeira, em que o principal problema continua a ser a impressão muito escura. No entanto, este escurecimento das pranchas apenas é observado em partes das histórias e não nas edições completas, como acontece em TXC. Quanto a imagens desfocadas, apesar de existirem, a quantidade é negligenciável. Nos números 84 e 88, incompreensivelmente, foi utilizado um papel demasiado fino e que enruga junto à colagem. Não se percebe esta experiencia com um papel muito pior que o utilizado nas outras edições! Já a numeração das páginas com o logotipo da coleção é utilizada assiduamente desde o número 83. Histórias em que se podem observar os problemas indicados, salientam-se os seguintes números: 78, 80, 85, 87 e 88.
TXO 65 - CENAS DIURNAS
Quanto à coleção TXO5, as edições com papel fraquíssimo aumentaram! Nesta situação incluem-se os números 64, 65, 66, 71 e 75. O principal problema continua a ser a impressão demasiado carregada em quase todas as edições, no entanto, a desfocagem, a falta de nitidez, também estão presentes, principalmente nas edições 64 a 66 e 71 e 72, isto se excluirmos os TXO 78 e 79, que me despertaram para este problema, e que são, sem dúvida, as piores edições deste leque observado. A numeração com o logotipo da coleção foi recuperada em TXO 80, curiosamente, depois de em Maio de 2015, na rubrica “Correio do Oeste” do TEX 547, em resposta a uma observação de Thiago Ferreira Barbosa, os responsáveis da editora terem informado os colecionadores, e passo a citar, “...não dá para colocar a numeração. Os leitores têm de conviver com isso que, aliás, na nossa opinião não é um problema muito grave.” A questão que fica é: O que é que mudou na editora em tão curto espaço de tempo, que tornou importante, e possível, numerar as páginas com a inclusão do logotipo da coleção?


VINHETAS FOSCAS E ESCURECIDAS EM TEH 94
Poderia ter analisado mais edições mas penso que a amostragem é suficiente e significativa. Nos últimos anos estas três coleções perderam qualidade, apresentam frequentes problemas de impressão, como falta de nitidez ou impressão demasiado carregada, utilização de papel excessivamente fino ou escuro, e ausência ou erros de numeração nas páginas. Como agravantes, serem publicações caras e não publicarem histórias originais! TXC está a republicar o que saiu em TXO (TXC 396 intitulado de “Morte no rio” é uma reedição de parte da história de TXO 21, de Novembro de 2005) e TEH reedita o que saiu em TXC (“Little Rock” aventura publicada em Novembro de 2015 em TEH 94, é uma republicação dos números 238 a 240 de TXC, publicadas entre Novembro de 2006 e Janeiro de 2007). Quanto TXO, reedita pela primeira vez histórias que foram publicadas em TEX a partir do numero 195). O ultimo número de TXO, o numero 81, “A mascara do terror”, foi publicado entre Novembro de 2003 e Janeiro de 2004, nas edições 409, 410 e 411 de TEX. Se nos primeiros tempos da editora se justificava a existência das diversas coleções, pois existiam histórias que não eram publicadas há décadas, neste momento esse cenário já não se coloca, pois a editora publicou praticamente tudo o que diz respeito ao personagem. Sabendo que os colecionadores apreciam a qualidade, a apresentação, o detalhe, características que ultimamente estas publicações pouco têm apresentado, e os leitores dão mais importância à quantidade e ao preço, mas o elevado preço afasta-os, até porque se querem apenas a leitura, e se considerarmos que as aventuras que estas coleções publicam não são inéditas e estão à distância de um clique, basta procurar na NET, quem é o publico alvo destas coleções? Apenas um cada vez menor numero de colecionadores fanáticos nos quais eu me incluo, não sabendo no entanto, por quanto mais tempo vou continuar. 

CENAS DIURNAS EM TEH 88 - IMPRESSÃO EXCESSIVAMENTE CARREGADA
O que é mais intrigante é que nas coleções de originais estes problemas raramente acontecem! As revistas têm normalmente uma boa impressão, com a tonalidade adequada e estão numeradas. Então se é possível fazer bem nessas coleções e em determinadas fases nas coleções de reedições, porque não fazê-lo sempre? Se determinado papel é utilizado de forma satisfatória em determinadas coleções, porque fazer experiências com outro papel, como o que foi utilizado na quase totalidade das edições de TEX entre o 521 e 531, em ALMANAQUE TEX (ATX) 45, e nas edições já identificadas em TXO e TEH? Para fazer um teste não é necessário colocar a revista nas bancas, basta efetuar uma prova!

Não tenho dúvidas, se as publicações Bonelli continuam nas bancas brasileiras e portuguesas muito se deve ao esforço e dedicação da Mythos. Basta observar como a Panini tratou “A FACE OCULTA” em que publicou apenas duas edições, cancelando-a de seguida por não atingir as objetivos pretendidos, para perceber que a Mythos trata os personagens de outra forma. Mas isso não a torna imune a críticas, pois têm cometido muitas falhas nos últimos anos! À falta de qualidade de diversas edições e coleções, juntam-se decisões editoriais que considero incompreensíveis e mesmo auto-destrutivas6. Como o elevado número de coleções de Tex em publicação, em que promove a concorrência entre os próprios produtos. Como senão bastassem as existentes, a editora prepara-se para o lançamento de uma nova coleção: TEX PLATINUM. Mais uma republicação, esta de TEX ANUAL. Este lançamento denota outros aspetos em que a editora deve melhorar rapidamente! A decisão sobre o tipo de produto que vai colocar no mercado e a divulgação e publicitação dos seus artigos! Somente a 01 de Fevereiro, no blogue do Tex, com a atualização das datas de lançamento das coleções para 2016, os fãs têm conhecimento da existência da referida coleção. Relativamente a este assunto o site oficial da editora continua “mudo” quando deveria ser o principal instrumento de divulgação! Nesse mesmo POST, no comentário efetuado pelo editor, tomamos conhecimento que ainda não está definido o formato, pois está dependente do preço. Tudo isto a decorrer no mês que se prevê o lançamento. O atraso no lançamento das publicações é outro ponto que carece de atenção por parte da editora pois têm sido demasiado frequente.

Os problemas nas revistas aqui identificados, e as falhas da editora não são novidade, sempre ocorreram, mas não com a intensidade dos últimos tempos, e fosse por paixão, por vício, por obsessão, ou qualquer outro sentimento que mova os colecionadores, estes sempre compraram as publicações, negligenciando esses aspetos. Então qual é a novidade?

PREVISÃO PIB BRASIL 2016
A novidade foi o ano de 2015 ter sido o pior dos últimos 25 anos em termos económicos, milhares de brasileiros terem perdido os seus empregos e poder de compra, e infelizmente, contrariando todas as previsões de todas as entidades ao longo do ano transato, 2016 não será melhor! E 2017 será apenas, na melhor das hipóteses, um ano de estagnação! Quem o afirma são o Banco Mundial e o FMI em previsões realizadas em Janeiro de 2016. Esta combinação de fatores leva os colecionadores a tornarem-se mais racionais nas suas decisões, mais seletivos nas suas compras, e mais intolerantes perante os problemas com as publicações, pelo que os produtos que não apresentem qualidade, ou um excelente preço, estarão na linha da frente para o insucesso, onde se incluem atualmente TEH, TXC e TXO, pois não apresentam nenhum desses atributos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em situação normal receberia com muito agrado a notícia de uma nova coleção de Tex, no entanto, após ter observado com detalhe a qualidade das coleções de reedições, receio que TEX PLATINUM seja apenas mais uma coleção em formatinho, impressa em papel de jornal de fraca qualidade e com preço elevado, que apenas desperte o interesse de quem não possui os primeiros números de TEX ANUAL. 

LEGENDA:
1 O blogue do Tex informou que TEC vai sofrer uma pausa na publicação durante o ano de 2016.

2 A Mythos apenas falta publicar 3 histórias antigas do TEX mensal italiano: “Missão em Silver Bell” TEX 56, “Sangue em Buck Horn” TEX 58 e 59 e, “O medalhão espanhol”, TEX 364.

3  Analisadas as revistas desde o Nº 361, de Julho de 2014.

4   Analisadas as revistas desde o Nº 73, de Setembro de 2007.

 Analisadas as revistas desde o Nº 61, de Julho de 2012.

Outro exemplo de decisão editorial, no mínimo incompreensível, foi a manutenção de OGCT após lançamento de TEC em Outubro de 2009, em clara concorrência a essa nova coleção, pois publicava as histórias da mesma época, diferindo apenas na apresentação (preto e branco, formatinho, histórias completas, qualidade do papel e preço inferior). Na época, num texto intitulado de RECOMEÇAR coloquei em dúvida o sucesso dessa publicação e que a manutenção das duas, poderia levar ao insucesso de ambas. Após seis números do TEC a Mythos anunciou o cancelamento de OGCT reconhecendo a evidência da incompatibilidade de existência das duas publicações.

REFERENCIAS: